Os capítulos 114 e 116 do Livro dos Mortos funcionam como fórmulas mágicas de autoafirmação, permitindo que o falecido assuma a identidade de divindades para demonstrar sabedoria. Eles garantem conhecimento sobre as Almas de Khemenu, facilitando o acesso ao Além e evitando alimentos impuros, com o auxílio do deus Thoth. Escritos em Egípcio Médio, abordam o conhecimento das almas de Khemenu (Hermópolis) como um feitiço de proteção, onde o falecido se identifica como conhecedor dessas almas, citando deuses como Thoth. Analisando os hieróglifos, o texto usa a transliteração Manuel de Codage, destacando frases com o pronome “Eu” (ink) e verbos de estado, ilustrado com três divindades com cabeça de íbis em papiros, que podem ser localizados. [1, 2, 3]
O Significado Espiritual de Khemenu.
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- A Cidade de Thoth: Khemenu era o principal centro de culto a Djehuty (Thoth), o deus da sabedoria, da escrita, da magia e do julgamento.
- As Oito Divindades (Ogdoáde): O próprio nome Khemenu significa “A Cidade dos Oito”, em referência às quatro divindades masculinas e quatro femininas que personificavam o caos primordial antes da criação do mundo.
- As Almas de Khemenu: No contexto funerário deste capítulo, as “Almas” (Bau) que o falecido precisa identificar e conhecer são representadas iconograficamente como três deuses com cabeça de Íbis, figuras diretamente ligadas a Thoth. [1, 2, 3, 4, 5]
- Domínio do Conhecimento Oculto: Que ele possuía a sabedoria e a pureza necessárias para transitar por aquela região sagrada.
- Absorção de Poder: Ao dizer “Eu conheço as almas de Khemenu”, o iniciado unia a sua própria essência à inteligência divina do deus Thoth.
- Proteção Contra Apagamento: O capítulo servia como um amuleto falado para garantir que a memória e o intelecto do falecido permanecessem intactos após a morte física. [1, 2, 3, 4, 5]

[From the Papyrus of Nebseni (British Museum No. 9,900, sheet 7).]
Dua tu Djehuty
“A Deusa Maat é carregada pelo braço ao brilho da Deusa Neith na cidade de Mentchat, e ao brilho do Olho quando este é pesado.
Eu sou carregado por ela e sei o que ela traz da cidade de Kesi, e não o revelarei aos homens nem o contarei aos deuses.
Eu vim, sendo o enviado de Rá, para estabelecer Maat no braço ao brilho de Neith na cidade de Mentchat e para julgar o olho para aquele que o examinar.
Vim como um poder através do conhecimento das Almas de Khemenu (Hermópolis) que amam saber o que vocês amam. Eu conheço Maat, que germinou, tornou-se forte e foi julgada, e tenho alegria em julgar as coisas que devem ser julgadas.
Homenagem a vocês, ó Almas de Khemenu, eu, eu mesmo,
conheço as coisas desconhecidas nas festas do mês e da quinzena.
Rá sabe as coisas ocultas da noite, e saibam que foi Thoth quem me concedeu o conhecimento.Homenagem a vocês, ó Almas de Khemenu, pois eu as conheço a cada dia.”
Existe outra versão deste feitiço numa tradução de Wallis Budge para seu Livro dos Mortos escrito no começo do seculo XX.
“Eis que levada nos braços , quando das Festas da Ascensão de Neith em Mathit ,a estatua de Maat avança lentamente, enquanto o Olho Divino resplandesce …
Vejo adiante de mim a Balança do Juizo …
Eu fui iniciado nestes Mistérios : eu sei o que Maat traz a cidade de Kesi. Porem nao direi aos homens nem repetirei diante dos Deuses …
Pois eu cheguei aqui por ordem do proprio Ra para por na procissão
a estatua de Maat por motivo das Festas da Ascensão de Neith quando o Olho Divino será julgado.”















